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COP: danificada e perdida

7 Nov 2022
COP: danificada e perdida

A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (CQNUAC) e a sua Conferência das Partes (COP) têm evitado cuidadosamente apontar os combustíveis fósseis como a principal fonte dos gases com efeito de estufa que impulsionam as alterações climáticas. As Nações Unidas estimam que os combustíveis fósseis representam cerca de 75 por cento de todas as emissões de dióxido de carbono.1

Outras fontes situam este valor em percentagens muito mais elevadas.2 As COP são um estudo sobre o retrocesso. Passou-se da medição de reduções vinculativas de emissões para um sistema voluntário que permite compromissos falsos e oferece margens para a inação, ou para uma ação fictícia como a permitida pelo ambientalismo de mercado. Com as COP totalmente cooptadas por empresas e bancos, as Partes continuam como sempre, procurando acordos que beneficiam as indústrias fósseis e afins em vez de enfrentarem uma policrise global.

O Relatório sobre o Desfasamento das Emissões (Emissions Gap Report) do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) destaca o sombrio fosso entre as negociações climáticas, as «ambições» e a realidade. O relatório de 2022 mostra que, se as nações cumprirem os compromissos nacionais assumidos desde 2021, haverá apenas uma redução de 1 por cento das emissões até ao final do século. De forma gritante, os compromissos farão apenas uma «diferença insignificante» nas emissões previstas para 2030.3

Os compromissos atuais colocam o mundo no caminho de um aumento de temperatura de 2,8 graus Celsius até ao final do século. Isto porque os «compromissos», ou CDN, são meras invenções e operações matemáticas manhosas e, mais uma vez, não enfrentam as verdadeiras causas do aquecimento global.

Todas estas promessas são, na verdade, apenas linhas de base para o mercado global de carbono e as trocas comerciais de ITMO. Exigir um compromisso mais «ambicioso» é, na realidade, pedir aos governos que criem cada vez mais cenários de fantasia e futuros contrafactuais, que apenas procuram mais possibilidades de os poluidores comprarem créditos e alcançarem a meta de Net Zero ou neutralidade carbónica.

Ler o relatório completo aqui.